sábado, 22 de janeiro de 2011

Doutrina Truman, Plano Marshall e a formação da OTAN



Quando em 1945 os aliados (EUA, Inglaterra e URSS) derrotam o eixo (Alemanha, Japão e Itália) e põem fim à Segunda Grande Guerra, a Europa tinha sofrido grandes perdas humanas e materiais, visto que, a guerra atingiu os seus territórios, com excepção dos Estados Unidos, viam-se assim com um grave problema em mãos, uma crise económica e social.
Por esta altura destacavam-se duas superpotências: os Estados Unidos, que a nível económico beneficiaram com a 2º Guerra Mundial, e a União Soviética por outro, que apesar das enormes perdas tinha uma economia capaz de igualar a americana ou superar, algo que se verificou uns anos mais tarde. Os dois gigantes lutavam assim, pelo controlo dos mercados dum lado, e por outro lado, pela expansão do comunismo.
A ascensão do comunismo, como aconteceu na Europa de Leste e na Ásia, tornava a organização política, social e económica dessas áreas impróprias para consumo do sistema capitalista.
Os regimes comunistas que emergiram e constituíram uma ameaça ao capitalismo foram:
Jugoslávia  em 1945
Albânia e Bulgária em 1946
Polónia e Roménia em 1947
Checoslováquia em 1948
Hungria em 1949
República Democrática Alemã Oriental (RDA) em 1949
Na Ásia o comunismo surgiu em países como:
Vietname em 1945
Coreia do Norte em 1948
China em 1949
Tibete em 1950
Era então necessária a intervenção do bloco ocidental.
O início do combate ao Comunismo
Na América, o presidente Franklin D. Roosevelt, morre em Maio de 1945, e em seguida, em 1946, dá-se a subida de Harry Truman ao poder, e ainda a eleição de um congresso predominantemente republicano e conservador, relacionado, na sua grande maioria, às indústrias de armamento e actividades anti-comunistas, levando ao aumento das tensões entre os dois países.
O ideal de luta anti-comunista foi consumado com o discurso do ex-Primeiro Ministro Inglês, Winston Churchill, no Missouri, a 5 de Março de 1946, em que este emprega a célebre expressão «cortina de ferro» para designar a divisão da Europa. Churchill defendia que cabia à Grã-Bretanha e aos Estados Unidos encabeçarem a luta contra a cortina de ferro que se abateu sobre a Europa.
Doutrina Truman e o Plano Marshall
Em 1997, no 50º aniversário do Plano Marshall, o ex-chanceler alemão Helmut Schmidt recordava, “No inverno de 1946-47, havia dias em que não nos levantávamos da cama, porque não havia para comer e nada que queimar para nos aquecermos”.
A Alemanha era uma montanha de escombros, assim como toda a Europa. A economia estava igualmente devastada, os racionamentos eram exíguos e rigorosos, faltavam máquinas e matérias-primas. Era necessário salvar a Europa.
Para isso, em 1947, Harry S. Truman apresentou um conjunto de princípios orientadores da política externa norte Americana que deu origem à Doutrina Truman.
Esta doutrina defendia o auxílio de qualquer país que estivesse ameaçado pelo comunismo. Por esta altura todos se voltaram para o secretário de estado, ex-chefe do Estado Maior e admirado general da Segunda Guerra Mundial, George Marshall.
Marshall discursa na Universidade Harvard, a 5 de Julho de 1947, onde apresenta o seu programa de recuperação europeia. Este plano, recebido com grande entusiasmo dos europeus, requeria ainda uma aprovação final dos países envolvidos. O governo francês, pressionado pelo partido comunista e com a aprovação de Washington convidou Moscovo a participar na criação do programa de recuperação europeia. Face a insistência dos EUA de que o plano fosse objecto de consenso e coordenação entre todos, o ministro dos negócios estrangeiros soviético, Viadleslav Molotov, deixou o programa levando consigo a Polónia e Checoslováquia.
Após a recusa Russa, iniciaram-se, nas margens do Sena, as reuniões does 16 membros para o plano de recuperação europeia: Áustria, Bulgária, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal – que recusou o primeiro convite – Reino Unido, Suécia, Suíça e Turquia. Ainda se juntaria ao grupo a Alemanha, por insistência dos americanos. A participação da Espanha foi vetada por Truman devido à filiação com o regime nazi por parte de Franco, a não participação foi um facto lamentado por George Marshall.
Os números apresentados ao congresso republicano para o plano de ajuda à Europa, 13 biliões de dólares, foram aprovados, em parte, pelo Golpe de Praga, em 1948, que tornava a Checoslováquia um estado comunista. Acheson comentava assim sobre este acontecimentos: «Podíamos sempre contar com os russos para fazer uma jogada que nos conviesse». Truman assina o Foreign Assistance Act, a 3 de Abril de 1948. Com a concretização de este plano estava, assim, dividida a Europa, opondo de um lado os que aceitaram, como os países da Europa Central e Ocidental, e por outro, os que estavam sob influência soviética e recusaram o plano.
Sobre o funcionamento e sucesso deste plano Niall Ferguson, no seu livro A mais nobre aventura:  o Plano Marshall e o momento em que os EUA ajudaram a salvar a Europa, escreveu:
Nenhuma política até então parecia resolver a falta de dólares – o facto de que uma Europa exausta não conseguia dinheiro estrangeiro o suficiente para pagar as importações necessárias vindas dos EUA. Behram mostra como o Plano Marshall resolveu este problema. Um agricultor francês que precisasse de um tractor norte-americano comprava-o com francos franceses. A administração de Cooperação Económica (braço executivo do Plano) consultaria o governo francês a respeito da transacção. Se fosse aprovada, o fabricante do tractor, nos EUA, seria pago com fundos do Plano Marshall. Os francos do agricultor, por sua vez, iriam para o Banco Central da França, permitindo que o governo francês gastasse esse dinheiro na reconstrução, [poupando a sua reserva de dólares]. O Plano Marshall fazia duas coisas ao mesmo tempo, aliviava a pressão na balança de pagamentos francês enquanto bombeava dinheiro para o plano de recuperação local. Ele tinha um efeito multiplicador, para usar o termo do economista John Maynard Keynes. De acordo com um observador da época, cada dólar Marshall estimulava de entre a 4 a 6 dólares em produção europeia.
Este plano foi apelidado por personalidades como Winston Churchill como «o acto mais puro da história da nações», e viria a dar a George Marshall, em 1953, o prémio Nobel da Paz.
 A criação da OTAN
Depois de assegurada a unificação de grande parte da Europa a nível económico, era agora necessário haver a mesma unificação a nível político e militar.
Em 1949 é então criada a Organização do Tratado do atlântico Norte (OTAN). Os países fundadores da OTAN – Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido – comprometeram-se a se defender mutuamente no caso duma eventual agressão militar.
A participação dos Estados Unidos garantia que qualquer incursão militar estivesse destinada ao fracasso. Este tratado garantia, simultaneamente, que as políticas de defesa nacional se tornariam progressivamente mais integrantes e interdependentes.
A criação da OTAN foi motivada pelo Bloqueio de Berlim, que será explorado mais à frente quando falarmos dos principais conflitos, contudo o auge da corrida às estruturas militares foi atingido no início dos anos 50 com o culminar da Guerra da Coreia. Novamente, a presença militar na Europa foi um factor decisivo para evitar uma agressão ao velho continente.
Em 1952, a Grécia e a Turquia, seguidas, em 1955, pela República Federal da Alemanha, e em 1982 a Espanha. A OTAN e o Plano Marshall foram consideradas por Truamn «as duas faces de uma mesma moeda»
 O fim da Guerra Fria e a OTAN
Nos anos noventa, com a queda da União Soviética, os países da OTAN, até aí empenhados na defesa militar, reduziram a sua despesa em 25%, nalguns casos.
Ainda que a ameaça comunista tenha desaparecido, novos conflitos eclodiram, tornou-se claro então que cabia aos países da OTAN intervir e manter a paz nessas regiões, impedindo assim que as tensões se espalhem. A OTAN assegurava assim a cooperação entre os países-membros com o objectivo de garantir a segurança dos mesmos.



1 comentário:

  1. Um blog que, sem dúvida alguma, qualquer aluno do 12º ano do curso de humanidades deve seguir, visto que se trata de um dos conteúdos de aprofundamento. :P

    Informação muito boa. Esperemos que no próximo teste, no qual sairá esta matéria, todos tenham boas notas. xD

    Cumprimentos

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